Hoje é sexta-feira, 8 de dezembro de 2006. Parece redundante indicar dia e data assim, quando se sabe que há milhões de relógios e calendários por aí afora, mas eu tenho meus motivos.
Li ontem, de alguma forma meio resignado (isso tem acontecido tão repetidamente, não é mesmo?), que acontecera mais uma rebelião de presos condenados, dessa vez no presídio de Água Santa, Rio de Janeiro. Os apenados teriam feito alguns reféns, queimado colchões, e... enfim...
Mas de súbito algo me surpreendeu, no entrevero todo: o presídio NÃO ESTÁ SUPERLOTADO, ao que consta os detentos continuam recebendo suas refeições normalmente, têm roupas pra vestir, COLCHÕES onde dormir... dentro de um contexto de vida de condenados, me pareceu tudo bem. Então o que está se passando, Deus do céu?
Enquanto isso, gente humilde cá fora precisa pegar no pesado pra ganhar o seu pão de cada dia, gastam salário mínimo com alugueres, colchão e roupa de cama, e se sobrar algum, ainda compram coisas de comer. Não é espantoso? Essa gente sossegada... DEVIAM É ESTAR QUEIMANDO COLCHÕES PELAS NOSSAS VIZINHANÇAS, ESPERANDO ALGO CAIR DO CÉU.
Irmãos brasileiros, estou enojado, confesso. Enojado de nossos valores sociais, de nossos legisladores relapsos e coniventes (sim, porque a lei brasileira até que é boa, como me ilustrara um profissional do Direito extremamente letrado e conhecedor), de nosso aparato de segurança que permite ABSURDOS acontecerem num presídio, dentre outros deslizes... Explico o nojo.
Nossa sociedade está sem referenciais de honestidade – vide o Congresso (que me perdoem as exceções que eu acho que contei nos dedos das minhas duas mãos), juízes aqui e ali se acham miseráveis em seus salários de CINCO dígitos – antes da vírgula é claro – e entram em situações dignas de tribunal (alguém ainda se lembra do magistrado Nicolau? Pois é... ainda estou aguardando algo definitivo a respeito do retorno dos bens que ele amealhou com orçamento público)...
Temos por “relapsos e coniventes”, juízes que vendem sentenças, juízes que engavetam processos, juízes que protelam sentenças (a troco de que? Só da minha indignação? Ou tem dinheiro por trás?), CPIs – aqui eu toquei no calo exposto – que não dão em nada, anões (ou gigantes) que continuam roubando o dinheiro do Erário à luz do dia, absurdos enfronhados em dossiês, deputados e/ou senadores que ocupam tribunas pra homenagear algum “José das Couves” porque o homenageado era seu tio, e fundou isso ou aquilo MAS desaparecem do plenário quando precisam votar coisas importantes para nosso povo. Candidatos que ao invés de ganharem votos pela sua honestidade e caráter, o fazem dando escovas de dentes, colchões, material escolar (nem pensem que isso é sério, porque muitas vezes é coisa desviada de orçamento público). AH, E ESSES RAPAZES ALEGRES COSTUMAM TRABALHAR (salvo raríssimas exceções pessoais) TRES DIAS NA SEMANA, enquanto tem pai de família que trabalha SEIS, pra ganhar aproximadamente 1/30 (ou menos) do que eles ganham todo santo mes. Se isso é justo, que me cassem o diploma!
Temos policiais que aceitam “bola” pra engordar o salário (que nem sempre é justo, concordo), e ao fazerem isso estão simplesmente estimulando criminosos a prosseguirem – esses corruptos não sabem que o criminoso acobertado HOJE pode ser o algoz da sua família AMANHÃ.
Já é mais do que hora de nossa “brava gente brasileira” (como cantava o Hino da Proclamação da República – eu desafio 10 deputados a cantarem duas estrofes e o estribilho disso de memória!).despertar de nossa letargia, elegermos gente séria (ou reformar o Congresso!!! Não é uma boa idéia?) para que nossa Pátria ande a passos mais largos.
Não que isso não aconteça, digamos assim, nos Estados Unidos, ou na Inglaterra. Mas nesses países, se o culpado for apanhado, ele costuma ir pra cadeia (outros pra queimar colchão?) e NUNCA MAIS consegue uma base eleitoral sólida. Enquanto que, do lado debaixo do Equador, mais precisamente no Brasil...
Vamos passar esse descontentamento, e essas idéias adiante?
De passagem, eventuais leitores (não creio que eles se dêem ao trabalho de me ler) congressistas ou do judiciário – se pretenderem alguma medida judicial contra mim, PODEM COMEÇAR HOJE. Porque eu estou querendo esse confronto. EU (E MAIS ALGUNS MILHÕES DE BRASILEIROS) PAGO O SALÁRIO DE VOCÊS, e não quero ser mais roubado. Trabalhem, façam a sua parte se quiserem o meu respeito. Me inquiram na justiça, e eu mostro a munição. E eu espero sinceramente que se eu for calado, que alguém assuma o meu posto, porque é melhor “tornar a Pátria livre” do que viver no meio da orgia, só sendo violentado.
Bom dia. Amanhã eu vou falar de Educação (das escolas, a de família vem mais adiante)